The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Do Comunismo ao Neo-Liberalismo?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

1.2.1990

O comunismo acabou na Polônia. Não há mais governo comunista, não há mais partido comunista, não há mais ninguém que creia no comunismo. O capitalismo está vitorioso. Todos querem restabelecer uma economia de mercado na Polônia. Muitos esperam que o capitalismo faça na Polônia o milagre do desenvolvimento que o estatismo foi incapaz de realizar. Mas as dúvidas são enormes. Dúvidas que se aprofundam dada a tendência de certos setores do governo de confundir capitalismo com neo-liberalismo.

A Polônia foi o primeiro país a realizar a revolução democrática que, em 1989, marcou o fim do comunismo. Depois da vitória da Solidarnosk nas eleições, um grande acordo nacional levou o partido-sindicato ao poder, através de um acordo com os comunistas. Comunistas que não são mais comunistas, porque acabam de transformar seu partido em um partido social-democrático. E essa não foi apenas uma mudança de nome.

E o governo da Solidarnosk, naturalmente, é também capitalista. Capitalista dividido entre social-democratas, camponeses e neo-liberais. O Ministério das Finanças, segundo a interpretação dominante em Varsóvia, seria neo-liberal, extremamente conservador portanto. O plano de estabilização em curso na Polônia, um típico plano ortodoxo, aprovado pelo FMI, seria a indicação de que a equipe de Balcerowicz seria neo-liberal. Isto não é necessariamente verdade, mas pode ser. Um plano de estabilização ortodoxo não é necessariamente neo-liberal. Jeffrey Sachs, que assessora os poloneses, não é um neo-liberal, e o FMI, embora influenciado pelas idéias neo-liberais, não pode ser identificado com o neo-liberalismo. Mas a preocupação com a ortodoxia talvez exagerada das medidas tomadas em 1o. de janeiro é enorme na Polônia. O governo continua tendo apoio, mas as interrogações e as dúvidas aumentam.

O plano de estabilização tem, de fato, um caráter ortodoxo ou convencional. Três objetivos são fundamentais: corrigir os preços relativos, conter a demanda e equilibrar o orçamento do Estado. Para atingir esses objetivos foram liberados os preços, liberadas as importações, desvalorizado brutalmente o slot, corrigidos fortemente os preços das empresas controladas pelo Estado, eliminados os subsídios, os salários estão sendo reduzidos em aproximadamente 40 por cento através da utilização de um coeficiente de correção salarial de 30 por cento da inflação de janeiro e de 20 por cento para os meses seguintes, ao mesmo tempo que uma política monetária extremamente rígida eleva as taxas de juros. Os juros da dívida externa não estão sendo pagos e a expectativa é de não pagá-los pelo menos nos próximos dois anos, mas ainda não está claro para os poloneses que a redução da dívida (e dos juros devidos) é uma parte essencial do plano de estabilização.

Um plano de estabilização com essas características básicas era essencial para a Polônia, mas é possível que fracasse caso confunda capitalismo com neo-liberalismo. A expectativa do governo e do FMI é que a inflação, que girava em torno de 30 por cento ao mês no segundo semestre de 1989, suba para 45 por cento em janeiro e depois caia rapidamente, dada a queda da demanda, até se estabilizar em torno de 1 a 2 por cento ao mês em meados do ano. Esta previsão dificilmente se confirmará. Por duas razões: porque subestima o fator de aceleração da inflação representado pela desvalorização cambial e pela correção dos preços controlados, e porque não considera que na inflação polonesa já deve haver um componente inercial significativo em face às altas taxas de inflação verificadas em 1989.

Em janeiro a inflação projetada para 45 por cento deverá ser superior a 60 por cento. Deverá em seguida cair. Mas em meados do ano é muito provável que a inflação ainda esteja em um nível muito alto. Será então necessário que o governo considere acoplar às medidas monetárias e fiscais convencionais ou ortodoxas um congelamento provisório de preços. Não se termina inflação inercial com medidas de política ec

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