The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Temer sobre pressão da direita e da esquerda

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota na página do Facebook, 11.9.2016

O presidente Temer é um homem acuado pela a direita e pela esquerda. Por esta, legitimamente, porque sendo ele próprio e seu partido de centro, aliou-se à direita dogmática, neoliberal e se comprometeu com ela a realizar “reformas” que, na verdade, representam uma tentativa de acabar com o Estado do bem-estar social no Brasil (emenda do “teto”) e com os direitos trabalhistas (emenda da “flexibilização” da CLT. Pela direita porque ela cobra todos os dias por essas reformas, que “resolveriam” os problemas econômicos do Brasil. Uma direita que conta com apoio da grande mídia. Hoje, por exemplo, a primeira das reportagens “A hora de mudar” que o O Estado começa a publicar, deixa claro qual é o inimigo. São aqueles que se beneficiam das despesas do Estado com educação, saúde, previdência e assistência social. Conforme afirma o subtítulo da matéria, “O Estado do bem-estar social, prometido pela ‘Constituição Cidadã’ de 1988 mostrou-se uma miragem. Agora é hora de definir o que virá no lugar”.
Evidentemente, não é com a guerra ao Estado do bem-estar social que o Brasil enfrentará a crise fiscal e a crise econômica desencadeadas ao mesmo tempo no final de 2014. A vida fiscal do Estado brasileiro precisa de uma regra – de um complemento à lei de responsabilidade fiscal. A meu ver esta regra deve ser um limite porcentual (jamais absoluto) às despesas do Estado. E precisa de políticas que levem a economia brasileira a sair mais depressa da crise econômica e da queda de receitas que ela representou: precisa que os juros voltem a cair, que sejam tomadas medidas de socorro às empresas endividadas, sejam realizadas as concessões programadas, e o Estado aumente imediatamente seus investimentos (o ajuste deve ser apenas da despesa corrente).
Que fará Temer diante dessas pressões? Diante da esquerda que realiza grandes passeatas, e demanda “diretas já” e da direita, que demanda “reformas” que enriqueçam os ricos? Conseguirá ele navegar por esse mar revolto? Não sei. Sei apenas que Temer é um político competente, que cometeu o erro de associar com a direita em um golpe de Estado. Sua competência se provará agora, se ele conseguir entregar a Presidência da República a seu sucessor com a Constituição Cidadã respeitada e o Brasil razoavelmente pacificado.
 


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