The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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O Capital Se Faz em Casa

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Folha de S.Paulo, 9.7.1995


Excepcionalmente o Economist publica artigos assinados a convite. Em número recente (30.6), um dos mais reputados economistas norte-americanos, Martin Feldstein, presidente do National Bureau of Economic Research, foi autor de um desses artigos: "Fluxos mundiais de capital: pouco, ao invés de demais", no qual pretende explicar a crise do México.
Excepcionalmente o Economist publica artigos assinados a convite. Em número recente (30.6), um dos mais reputados economistas norte-americanos, Martin Feldstein, presidente do National Bureau of Economic Research, foi autor de um desses artigos: "Fluxos mundiais de capital: pouco, ao invés de demais", no qual pretende explicar a crise do México. Segundo o autor, a estratégia mexicana não teria fracassado porque a se expôs em demasia aos fluxos de capital internacionais, mas porque eles foram insuficientes.

A análise, embora adotando uma abordagem iniciar insustentável, acaba sendo profundamente interessante para os países latino-americanos, se lhes servir de advertência para que não contem irresponsavelmente com a poupança externa, nela incluídos os investimentos diretos estrangeiros. Estes investimentos são muito bem vindos, mas são universal e invariavelmente parcos. Na verdade, como Feldstein demonstrou cabalmente em seu artigo - concluindo da mesma forma que Barbosa Lima Sobrinho o fez há muitos anos no próprio título de um livro clássico sobre o Japão -, o capital se faz em casa, ou seja, os investimentos reais em cada país são fundamentalmente financiados pela poupança interna.

Não é razoável atribuir a crise mexicana à exposição excessiva aos fluxos de capital, a não ser que se imagine possível contar com um financiamento ilimitado de déficits em conta corrente, a partir de uma política de "confidence building". O grande erro do México foi esse. Deixou o câmbio valorizar, para controlar a inflação, e, em conseqüência incorreu em déficits crescentes em conta-corrente, que esperava poder financiar por investimentos diretos. Adotou uma política de construção da confiança atendendo a todos os desejos do sistema financeiro internacional - particularmente os de uma inflação muito baixa e de um câmbio estável - às custas dos fundamentos macroeconômcos. Afinal a estratégia se revelou insustentável e a confiança foi perdida.

Não se trata de uma insustentabilidade teórica, mas prática. Em tese os déficits em conta-corrente poderiam ser absorvidos, se fossem financiados por investimentos diretos, que não apenas não exigiriam repatriamento a curto prazo, mas também provocariam um aumento da capacidade de exportar, a qual, mais adiante, permitiria o pagamento da dívida contraída. Feldstein, entretanto, mostra através de uma ampla pesquisa que, historicamente, essa estratégia é impraticável. Que não é realista pensar em financiar de forma substancial os investimentos internos com investimentos diretos externos, nem com empréstimos internacionais. E muito menos com fluxos de capital de curto prazo.

Segundo Feldstein, "embora existam grandes fluxos diários de capitais em torno do mundo, quando baixa a poeira a grande maioria da poupança realizada em um país permanece naquele país". Para substanciar essa afirmação, apresenta uma tabela na qual, na abcissa, coloca os investimentos brutos médios de 1970-92 em relação ao PIB nos países da OCDE, e na ordenada, as respectivas taxas de poupança bruta. Conforme observa o autor, a correlação é quase perfeita. No topo o Japão poupa em média 34 por cento do PIB e investe internamente 32, na retaguarda, os Estados Unidos poupam 18 e investem 19 por cento do PIB, e o Reino Unido poupa 17 e investe 19 por cento do PIB. Os demais 18 países estudados distribuem-se disciplinadamente entre os dois extremos, sempre com uma correlação estreita entre poupança interna e investimento.

Diante dessa situação, a política a ser seguida não é, obviamente, mudar o caráter dos fluxos internacionais, fazendo que ele se tornem reais, constituídos de investimentos diretos. Feldstein não tem qualquer ilusão a respeito. E se ele, que vive em um país desenvolvido e portanto teoricamente exportador de capital, não a tem, muito menos nós, na América Latina, podemos tê-la. Conforme afirma Feldstein, "olhando para frente, a política econômica precisa se concentrar em aumentar a poupança nac

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