The Political Construction of Brazil

2017. An encompassing analysis of Brazil’s society, economy and politics since the Independence. A national-dependent interpretation. Three historical cycles of the relation state-society: State and Territorial Integration Cycle (1822-1929), Nation and Development Cycle (1930-1977) and Democracy and Social Justice Cycle (1977-2010). Crisis since then. (Book: Lynne Rienner Publishers)

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Macroeconomia Desenvolvimentista

2016. With José Luis Oreiro e Nelson Marconi. Our more complete analysis of Developmental Macroeconomics – the central economic theory within New Developmentalism. (book)

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Da Euforia ao Desânimo

Luiz Carlos Bresser-Pereira

O Estado de S.Paulo, 13.5.1994


A queda da candidatura de Fernando Henrique nas últimas prévias eleitorais provocou uma onda de desânimo entre seus eleitores.
A queda da candidatura de Fernando Henrique nas últimas prévias eleitorais provocou uma onda de desânimo entre seus eleitores só comparável à euforia que o enorme crescimento no mes anteriores havia provocado. O candidato do PSDB, que estava com 6 a 7 por cento das intenções de voto, subitamente saltou para 21 por cento no final de março, para, no final de abril, cair para 15 por cento. Naturalmente, o desânimo dos eleitores foi aproveitado pelos adversários para renovar suas esperanças, e pelos analistas políticos, que imediatamente passaram a especular se a candidatura Fernando Henrique “decolaria” ou não, como se já não houvesse decolado, e se seria possível pensar em uma alternativa, como Sarney ou Quércia, para enfrentar Lula no segundo turno.

Todas essas reações são compreensíveis, mas ignoram um simples fato: a probabilidade de Fernando Henrique vir a enfrentar Lula no segundo turno continua altíssima. Não apenas porque reune honestidade e competência enquanto seus adversários são deficientes em uma, em outra, ou em ambas as qualidades. Não apenas porque tem um programa social-democrático moderno, que é uma alternativa ao nacional-corporativismo arcaico do PT e ao neo-liberalismo do consenso de Washington. Não apenas porque é o único candidato que poderá consolidar o plano de estabilização que ele próprio coordenou, e cuja terceira e decisiva etapa será lançada em 1o. de julho. Não apenas porque, entre todos os candidatos, é o único que, chegando ao segundo turno, poderá nesse turno vencer Lula.. Não apenas porqua e tem todas as qualidades do estadista que o Brasil já teve em Juscelino e imaginou que teria em Tancredo. Mas por todas essas qualidades somadas, que estão levando à formação de um grande pacto político social-democrático e moderno em torno de seu nome.

Por que, então, Fernando Henrique perdeu 6 pontos percentuais na última prévia eleitora? As causas parecem claras. Em primeiro lugar, porque saiu do Ministério da Fazenda, onde estava identificado com uma grande tarefa. De repente, ficou sem o cargo e a missão. Em segundo lugar, porque o acordo com o PFL foi muito desgastante, e bem aproveitado pelos adversários. Do ponto de vista ideológico não há nada de extraordinário na aliança. O PSDB é um partido social-democrata, de centro-esquerda, o PFL, um partido liberal-democrata, de centro-direita. Acordos entre a social-democracia e a liberal-democracia são freqüentes e naturais. A vocação governista do PFL foi também motivo para críticas, mas é compreensível que um partido de centro tenha essa tendência, e é exatamente porque o PFL tende a aproximar-se do poder que ele se aproximou do candidato com maiores chances eleitorais. Não há dúvida que o ideal teria sido ter escolhido um candidato à vice-presidência do próprio partido. O processo de escolha foi demorado, difícil, e o candidato afinal escolhido é um desconhecido. Mas todos os testemunhos são de que se trata de um político honesto e responsável.

Neste mês de abril, quando Fernando Henrique deveria estar organizando sua campanha e definindo seu discurso como candidato, perdeu um enorme tempo na negociação da vice. Provavelmente por isso decidiu evitar falar com a imprensa. Ora, candidato sem discurso, na hora que todos estão esperando que ele fale, é candidato em queda. A imprensa continua falando sobre ele, mas como objeto, não como sujeito. Fernando Henrique reconheceu explicitamente que nesse ponto cometeu um erro. Um erro perfeitamente compreensível, que já está sendo sanado. Na convenção nacional de Contagem, quando sua escolha como candidato será formalizada, seu discurso já estará definido.

Mas será que com esse discurso Fernando Henrique, que é um político de alto nível e um intelectual, será capaz de chegar “aos grotões”, às classes D e E? Estas classes não seriam exclusividade dos demagogos ou da esquerda? De forma alguma. Não há dúvida que eleitores de baixissima renda e educação limitada são presa fácil do populismo<

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